Autocrítica, emocional e dedicação: entenda o crescimento da ReD DevilS

Autocrítica, emocional e dedicação: entenda o crescimento da ReD DevilS

Os três pilares que sustentam a reação dos diabos vermelhos na pro league

Por Luiz Queiroga


A realidade da ReD Devils nesta season é bem diferente em comparação a temporada passada.

Em 2018, a equipe se classificou com sobras à fase final da Challenger League e não teve nenhuma surpresa para confirmar o acesso à Pro League como campeã. 

Acontece que os Diabos Vermelhos passaram a viver um verdadeiro inferno - por mais paradoxal que isso possa soar metaforicamente.

Em quatro jogos no regional latino-americano, o time somou três derrotas e apenas uma vitória - se complicando, assim, na sétima posição na tabela.

O cenário é ingrato, mas a RD demonstrou uma curvatura de evolução muito acentuada nas últimas semanas - e bem quando a comunidade não botava fé em qualquer reação da line-up formada por Felipe "Abreu" Abreu, Vinicius "VnX" Morandi, Vitor "Vitzz" Ruiz, Dyjair "Mity" Soares e Gabriel "VelveT" Stedille.

A história mudou a partir da vitória no confronto direto diante da INTZ pela terceira rodada da Pro League por apertados 7 a 5. 

No dia seguinte, a equipe esboçou a segunda vitória consecutiva após um início avassalador de mapa pra cima da FaZe Clan, mas levou a virada nas parciais - sendo derrotada pelos mesmos 7 a 5.

Mesmo com o revés, porém, a evolução estava clara. A reportagem da ESL BRASIL conversou com os pro players e coaches da equipe para falar sobre esse momento.

"Todo mundo olha pro nosso time e acha que vamos ficar na parte de baixo da tabela, mas não é bem assim não", desabafou Mity. 

E, pela fase atual da ReD DevilS, não são palavras ao vento - principalmente pelos pilares que sustentam a equipe, a começar pela...

Autocrítica

A RD sabe que vive realidade totalmente diferente na elite do cenário competitivo de Tom Clancy's Rainbow Six Siege. Como diria Velvet, a Pro League é uma "selva organizada".

Pergunte para muitos fãs da comunidade e talvez a maioria veja os Diabos Vermelhos exatamente como as presas fáceis dessa selva.

Reconhecendo seu lugar ao Sol, a ReD DevilS sabe que a provação é diária e que tem balinha para contrariar as expectativas. Abreu é muito claro nesse ponto.

“A gente tem potencial mesmo sendo underdogs. Todo mundo têm skill pra trocar de igual pra igual com qualquer equipe.”

A autocrítica se faz necessária para entender as limitações da equipe e o que pode estar comprometendo pra situação atual. Como o analista Bruno Rovida explicou, esse foi um processo que a própria comissão técnica deu o pontapé inicial.

"Eu e o Igor [dos Santos; coach] conversamos para que não nos sobrecarregássemos em nossas tarefas. Às vezes fazemos funções parecidas, como acompanhar os treinos e verificar os pontos fracos da equipe."

Foi preciso reorganizar o processo. "A gente se completa, mas percebemos que o simples seria melhor na divisão de tarefas."

Rovida (centro) e Igor (direita) formam a comissão técnica da ReD DevilS (Foto: Bianca Pillon)

Processo reorganizado, a humildade também entrou em cena na hora de absorver as ideias propostas com a essência do time. Os demônios gostam de jogar livres.

"A gente testou várias maneiras de jogar e percebemos que uma forma mais travada, se assim posso dizer, não encaixa tão bem com o estilo dos jogadores", admitiu Rovida. "Eles têm mais potencial para inovar em meio ao round."

"Rainbow Six é um jogo de muita adaptação no mid-round. Eles ficavam muito presos a tática em si mesmo percebendo que não estavam eficientes naquele posicionamento em determinado momento do jogo."

Essa autocrítica melhorou a performance da RD nos ataques principalmente.

Por fim, a ReD DevilS entende que precisa dar mais base ao pilar do...

emocional

Há autocrítica suficiente para reconstruir o pilar voltado para controle emocional da equipe. Sempre muito convicto, Abreu reconhece que é o ponto mais delicado.

"É um time que vai abalar fácil se perder, isso é fato." Só que o próprio capitão apontou o fator determinante para mudar esse cenário: união.

"Todos estão juntos em prol de um objetivo. Foi assim na conquista da Challenger e também no acesso ao BR6. Estamos nos encontrando."

Rovida assina embaixo. "É trabalhar o psicológico. Todo mundo sabe que o time tem bala pra dar apesar de ter jogadores novos - com nível de Pro League. Ninguém está de bobeira."

"É parar de abrir vantagem e perder rounds quando as coisas deixam de funcionar. O time se desconecta, acaba não passando calls e jogando muito só no feeling."

Os treinos ficaram muito voltados para o controle emocional (Foto: Bianca Pillon)

Peça fundamental nesse quesito é Mity, isso porque o entry fragger é um dos jogadores mais experientes 

O analista sabe onde a equipe pode chegar. "Só assim pra almejar um Top-4."

Só que pra isso, é preciso de...

dedicação

Não há fórmula mágica. A evolução da ReD DevilS em meio às últimas semanas se deu não só pelos fatores emocionais, mas práticos: era preciso colocar a mão na massa definitivamente.

"A galera está num compromisso maior e se esforçando mais. Estão dando tudo de si. Potencial a gente tem", como destacou Mity. E não que antes não havia essa dedicação, mas agora houve uma repaginada na rotina da GH localizada em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

A principal mudança foi no horário de treinamentos: antes os trabalhos começavam sempre a partir das 19h até meia-noite. Com os resultados não vindo, foi preciso aumentar esse período: agora se inicia às 16h.

O tom também mudou. Como Vnx disse à reportagem, agora os treinos são mais intensos. 

Com os três pilares bem firmes, é questão de tempo para os resultados acontecerem. "Mesmo perdendo para a FaZe, vimos que batemos de frente com uma equipe Top-2 mundial até agora", relembrou Abreu. "É trabalhar numa mentalidade bem sólida e não se deixar abalar por causa das derrotas."

A rotina de treinos mudou para que os resultados aparecessem (Foto: Bianca Pillon)

O problema é que essa evolução vai passar por uma verdadeira prova de fogo, afinal, a ReD DevilS terá pela frente uma sequência nada amigável até o término da primeira metade da Pro League: Ninjas in Pyjamas, Team Liquid e paiN Gaming - que é confronto direto na tabela.

Mesmo assim, sem motivos para pânico, conforme disse Abreu. "A gente já treinou com os caras e sabemos o que podemos ou não fazer. A gente vai jogar e querer vitória obviamente - principalmente contra a paiN."

A maratona vai começar pelo duelo diante da NiP, na noite desta quarta-feira (23), a partir das 19h (de Brasília). Boa oportunidade para ouvir as palavras de Mity, o jogador que mais cresceu desde o início da Pro League segundo as estatísticas.

Para a ReD DevilS confirmar sua evolução e alçar voos maiores, é preciso "encarar o jogo de maneira diferente" e entender que o crescimento "vem de nós mesmos."

 

Luiz Queiroga é jornalista da ESL BRASIL. Siga-o no Twitter!

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